Será que alguma vez alguém se contentará com aquilo que sou e aquilo que tenho para dar? Dou de mim até o que não posso e peço tão pouco... No entanto, mesmo pedindo tão pouco, acabo por nunca ter o que quero. Vou dando partes de mim, pedaços grandes e não recebo migalhas de volta.
Assim me vou perdendo. Assim vou desaparecendo.
Já não tenho desejos ou esperanças de ser amado. Não minha cabeça já está bem assente a impossibilidade de tal acontecer outra vez.
"Outra vez"... Se alguma vez cheguei a ser amado.
Numa só pessoa fui encontrar tudo o que procurei em tantas outras... Tudo.
Cativas-me, fascinas-me, fazes-me querer descobrir-te, desejar-te e o principal: fazes-me sorrir como eu não sorria há tanto tempo. Fazes tudo isso sem saber sequer que o fazes, mas contigo eu era feliz. Tão feliz... Não posso perder isso.
Mas perdi... Perdi mais um bocado de mim... Voltei a perder a vontade de sorrir. Outra vez... Hoje desapareci um pouco mais.
Na verdade não perdi a vontade.... Eu quero sorrir, quero ser feliz. Quem não?
Mas como, se o meu sorriso nasce em ti?
Patético, não é? Não acredito em amor à primeira vista e, no entanto, dois dias foram o suficiente para eu sentir tanto por ti.
Eu sempre soube o que ia acontecer desde o início. Mesmo assim fui de cabeça... Parti o pescoço e agora estou no chão, não me mexo.
Não tenho sequer vontade de escrever... Dei a cabeça na almofada e deixei-me quase adormecer. Porra, nem assim estou seguro. Também dominas os meus sonhos. O que fazer então? Fico acordado? De que me vale se és tu que me ocupas também a cabeça? Não consigo fugir de ti. Não quero...
Faz-me falta beijar-te, fazem-me falta os teus lábios, o teu sorriso a rasgar o beijo, o teu abraço, a tua respiração ofegante, o teu toque, o teu riso.
Fazes-me falta, tu.
Eu preciso de ti, que sejas minha. Não peço muito, dá-me as tuas migalhas.

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